Pernambuco imortal

Não fique de fora

Uma das músicas que certamente melhores transmite o espirito pernambucano é Leão do Norte, imortalizada na voz de Lenine.

Escutem enquanto acompanham a letra.


Leão do Norte

Lenine

Composição: Lenine e Paulo César Pinheiro

Sou o coração do folclore nordestino
Eu sou Mateus e Bastião do Boi Bumbá
Sou o boneco do Mestre Vitalino
Dançando uma ciranda em Itamaracá
Eu sou um verso de Carlos Pena Filho
Num frevo de Capiba
Ao som da orquestra armorial
Sou Capibaribe
Num livro de João Cabral
Sou mamulengo de São Bento do Una
Vindo no baque solto de Maracatu
Eu sou um alto de Ariano Suassuna
No meio da Feira de Caruaru
Sou Frei Caneca do Pastoril do Faceta
Levando a flor da lira
Pra Nova Jerusalém
Sou Luis Gonzaga
E vou dando um cheiro em meu bem

Eu sou mameluco, sou de Casa Forte
Sou de Pernambuco, sou o Leão do Norte

Sou Macambira de Joaquim Cardoso
Banda de Pife no meio do Canavial
Na noite dos tambores silenciosos
Sou a calunga revelando o Carnaval
Sou a folia que desce lá de Olinda
O homem da meia-noite puxando esse cordão
Sou jangadeiro na festa de Jaboatão
Eu sou mameluco…

Visitar Pernambuco, seja para conhecer Recife, a veneza brasileira, passear pelas ladeiras e igrejas de Olinda, patrimônio de humanidade, visitar Garanhuns, Triunfo, Caruaru, Ipojuca – e as maravilhosas praias do balneário de Porto de Galinhas, é sempre uma experiência única e maravilhosa.

Pernambuco é um lugar arretado, com paisagens que deixam qualquer um abestalhado mesmo. É arrodeado de belezas por todos os lados. Não tem como a beleza de nossas praias não bulir com você. Uma vez com os cambitos dentro d’água você não se avexa para nada mais. Nada mesmo.

O cabra fica alesado com tanta coisa pra se ver, pra conhecer, pra se sentir. Conhecer Nova Jerusalém, o maior teatro ao ar livre do mundo, tomar banho de cachoeira em Bonito – que vale cada catabiu na estrada até chegar lá, visitar a serra do Catibau – que de tão longe parece de que tá de rosca chegar lá, mas o passeio… ah, esse vale cada segundo.

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Só estando com a bexiga lixa, estando com a bubônica mesmo para não se maravilhar com as tapiocas da Sé, lá no alto de Olinda, olhando para o Recife de cima, na hora do por do sol. Comer uma macaxeira com carne de sol na Noca, ao som de Alceu Valença, ou se deliciar com os pratos da Oficina do Sabor. Ou quem sabe comer um chambaril no bar do Bernardo e depois, por conta do banzo, tirar uma piaba numa rede a beira mar?

Porque digo a você, não tem passeio fuleiro por essas bandas. O cabra pode ser metido a cavalo do cão, dizer que já andou o mundo todo, mas ele em canto nenhum viu um museu particular como o de Ricardo Brennand. Pode ser os pés da besta mas não tem como não se encantar com a noite dos tambores silenciosos. Depois de dançar um forró pé de serra, de dar o lustre na fivela, só no rala-buxo, não tem nopró no mundo que faça o cabra esquecer. Pode dar nó cego a vontade! Agora deixe de petica e cate logo uma dama pra não ficar segurando vela!

Tem que ir na feira de Caruaru, e não pode ser pirangueiro, tem que levar coisa da boa, nada de comprar lembrança peba. Tem que dar um passeio na catinga, mesmo que fique peguento de suor. Tem que conhecer as pontes, passear de barco no Capibaribe só pra depois comer um pastel com caldo de cana na pracinha de Boa Viagem, que nem todo turista faz. No fim da noite, sentar na praça do Entroncamento, comer pipoca enquanto ouve histórias sobre a Perna Cabeluda, o Papa Figo e Biu do Olho Verde.

Aqui em Pernambuco o cara vai rir feito um tabacudo, se abrir, ficar paia, rindo à toa. Vai ficar besta com o sabor do bolo de rolo da Casa dos Frios, ficar zambeta depois de experimentar a coxinha de caranguejo ou cartola do Boteco, tomando ventinho na cara à beira mar.

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E que mar…o mar é de torar. Lindo. Praia do sossego – pedacinho do paraíso, Porto de Galinhas, Calhetas, praia de Carneiros. Água morna e cristalina, calor, sol e água de coco geladinha, comendo caranguejo e ouvindo o rei Reginaldo Rossi. Sob o sol tudo fica devagar… o cabra vira um aruá, não tem jeito. Avalie só como o sujeito fica borocochô na hora de ir embora? O cabra prefere levar uma chapuletada no toutiço e ficar azoretado do que ter que ir simbora de verdade.

Quanto o frevo tocar não dá pra ficar parado. As pernas ficam zambetas se você não dançar, o cabra fica zarolho, suando feito tampa de chaleira. Tem que se deixa levar. Nem ligue se alguém mangar de você, ficar de greia porquê você não conhece todos os passos. Se ficar de pantim, ligando pro queijo desses Zé Ruelas você termina ficando xôxo. Se deixe levar. Deixe o frevo ferver. E se achou pouco caia no batuque do maracatu, arraste o pé ao som do triangulo e da zabumba ou se emocione com a banda de pífanos.

Viver Pernambuco é descer e subir as ladeiras de Olinda, usando fantasia de papel marche, cantando a todo pulmão “Olinda, quero cantar, a ti, essa canção. Teus coqueirais, o teu sol…”, pulando como se não houvesse amanhã.

E, amigo, digo logo, o sujeito sai daqui com o sotaque arrastado, falando meio cantando, levando consigo parte de tudo que viveu. E desse dia em diante vai sentir saudades daquele precioso momento em que ele foi pernambucano. Mas não aperreie, Pernambuco estará sempre de braços abertos esperando por sua volta. Sempre!

4 comments

  1. Alex Luna’s avatar

    lagriminhas, lagriminhas.

    dia desses eu volto, meu Recife.

  2. @paulabio’s avatar

    Eu quero bolo de rolo!!!!! Agoooooooora!!!!

  3. Lu Monte’s avatar

    Lindo post sobre o Leão do Norte!!! Morei quatro anos em Recife, sabia? Deu até saudade agora!

  4. Flávio Amaral’s avatar

    Deveria ser “eu sou um AUTO de Ariano Suassuna, assim mesmo, com “U”, como no “Auto da Compadecida” (auto = cerimônia ou celebração pública).

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